Homens de Coragem

CORAGEM PARA SER DIFERENTE, COMPROMISSO PARA FAZER DIFERENÇA.

Para que você casou?

É enorme a quantidade de casamentos problemáticos entre cristãos. O casamento é uma das áreas mais visadas nos ataques espirituais contra os cristãos e por uma simples razão: ao se destruir uma família, ocorre a desestruturação dos cônjuges em diversos âmbitos, os filhos ficam traumatizados, as comunidades são abaladas e, com tudo isso, fere-se a Igreja de Cristo. Assim, qualquer ataque a um casamento é uma afronta direta a Deus. Homens que vivem desilusões e problemas no matrimônio muitas vezes acreditam que o divórcio é a solução. Porém, a solução para muitos problemas matrimoniais é uma simples mudança na sua compreensão acerca do verdadeiro propósito do casamento.

Como todo mundo, eu me casei acreditando naquelas frases feitas, como “Casei para ser feliz” ou “Casei para fazer o meu cônjuge feliz”. É o que nos ensinam nos contos de fadas, em que príncipe e princesa necessariamente têm de “ser felizes para sempre” e ninguém ensina a nossos filhos que príncipes e princesas não vivem deitados eternamente em berço esplêndido, tampouco são lindos de morrer (lembra do príncipe Charles, por exemplo?). Mas a ideia transmitida aos pequenos é que príncipes e princesas são bonequinhos lindos e cheirosos, sempre felizes, eternamente de bem com a vida, numa utopia destrutiva para a formação de identidade de um ser humano.

Assim, somos adestrados desde os primeiros anos de vida a acreditar que o casamento tem de nos conduzir a esse estado de “ser felizes para sempre”. O que, aliás, é impossível, nunca acontecerá com ninguém e é propaganda enganosa. Mas todo mundo sobe ao altar acreditando nisso. A princesinha do papai um dia vai se casar com um ogro, que, por mais esforçado que seja, terá todos os defeitos que ela não espera (afinal, tirando o Shrek, os príncipes dos contos de fadas nunca têm defeitos). O principezinho do papai um dia se casará com uma mulher que não é delicadinha e obediente como a princesa dos desenhos animados (ou você acha que a rainha Elsa, de “Frozen”, nunca vai engordar, criar pelanca e dar ataques de TPM?). A realidade é a realidade, mas aprendemos de nossos pais e ensinamos a nossos filhos que nosso casamento tem de ser exatamente como na ficção.

Por acreditarmos no conto de fadas da felicidade ininterrupta, quando somos confrontados pela realidade é impossível não se frustrar com o cônjuge, não se desapontar, não se chocar com a enorme distância entre ele e aquele lindo príncipe sem espinhas, nariz escorrendo ou cheiro de suor que desperta a Branca de Neve de seu sono com um lindo beijo nos lábios.

Aí você pode me perguntar: “Mas, Zágari, se o casamento não tem esse propósito, para que ele serve?”. Guarde esta verdade: biblicamente, o casamento não foi criado por Deus para nos fazer felizes, mas para que marido e mulher sejam conformados cada vez mais à imagem de Jesus Cristo. Quando você compreende que não se casa para ficar sorrindo, dançando e pulando o tempo inteiro, com dentes brilhantes sob a luz do luar, passa a ter atitudes muito diferentes e mais construtivas do que tinha antes.

Entenda algo. Se sua esposa é turrona e cabeça dura, mas você acredita que ela teria de ser diferente para você ser feliz, então viverá eternamente insatisfeito (ou você ainda acredita na ideia de que as pessoas mudam conforme o seu querer? A sua vontade de que mudem não mudará ninguém). Mas, se entende que sua esposa turrona faz com que você se torne alguém mais paciente, então enxerga que o seu casamento com uma mulher cabeça dura o conforma mais à imagem de Cristo. Outro exemplo: se a sua esposa é meio briguenta, comece a tentar ver que isso pode desenvolver em você um lado pacificador cada vez maior. Em outras palavras, cada defeito da mulher com quem você se casou pode ser visto de duas maneiras: ou como um obstáculo à sua felicidade e à sua ideia de casamento conto de fadas, ou como um meio que Deus estabeleceu para que você seja cada vez mais assemelhado a Cristo. Sua esposa é uma pedra de amolar, que deixa você cada vez mais afiado.

Se você consegue adquirir a percepção de que sua esposa não é um adversário imperfeito que chegou para atazanar sua vida, mas, sim, um aliado imperfeito que chegou para criar mais e mais intimidade entre você e o Cordeiro de Deus… tudo muda. O Senhor quer nos fazer crescer em misericórdia, graça e amor incondicional. Ele deseja que cresçamos a partir das fraquezas de nossa esposa — e ela, das nossas — para que cuidemos e amemos nossas mulheres mesmo quando elas não atenderem às nossas expectativas. Parece loucura? E é mesmo: “a mensagem da cruz é loucura para os que estão perecendo, mas para nós, que estamos sendo salvos, é o poder de Deus” (1Co 1.18). Sim, é loucura a olhos humanos. Mas é crescimento espiritual aos olhos divinos.

Só Deus sabe como essa percepção da realidade bíblica mudou totalmente a forma de enxergar minha esposa e meu casamento. Consequentemente, isso mudou muito em mim. O que antes eu via como defeito agora enxergo como canal de bênção. O que antes eu acreditava que subtraía hoje eu vejo que soma.

Peço a Deus que todas as dificuldades de sua vida matrimonial venham a fazer você e sua esposa crescerem em intimidade com Deus. Que as falhas e imperfeições de ambos sirvam para conformá-los cada vez mais à imagem de Cristo. Pois “Sabemos que Deus age em todas as coisas para o bem daqueles que o amam, dos que foram chamados de acordo com o seu propósito. Pois aqueles que de antemão conheceu, também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho…” (Rm 8.28-29).

Você, homem de coragem, não é perfeito. Sua esposa não é perfeita. E, para tentar aproximar vocês dois um pouco mais da perfeição, o Ser perfeito criou essa estranha ferramenta chamada casamento. Use-a e torne-se a cada dia um pouco mais como Cristo.

Maurício Zágary