Homens de Coragem

CORAGEM PARA SER DIFERENTE, COMPROMISSO PARA FAZER DIFERENÇA.

Entendendo a submissão da mulher. Parte III

Por Maurício Zágari

  1. Maridos que deixam a desejar

Este ponto tem um peso gigantesco na decisão de muitas mulheres de se rebelarem contra a autoridade do marido. Muitas até gostariam de se submeter, mas não enxergam no homem com quem se casaram alguém “digno” de sua submissão. Já ouvi muitas e muitas histórias do tipo.

É totalmente compreensível que esposas de homens que têm falhas óbvias se revoltem contra eles. Se eu fosse mulher e meu marido me tratasse de um jeito diferente do ideal, eu me revoltaria. A questão é: os erros, as fraquezas e os problemas dos esposos dão às suas mulheres a permissão bíblica de não serem submissas? Se você espera uma resposta fácil e rápida, lamento dizer que não posso dá-la. O que deve ser feito nesses casos é buscar ajuda, aconselhamento, até mesmo a polícia – sim, pois o lugar de maridos que, por exemplo, batem na esposa é na cadeia. Cada caso é um caso e precisa ser visto à luz de cada situação. Seja pelo pastor da família, seja por terapeutas, seja por conselheiros, seja pelo delegado. Em muitas situações, acatar a vontade de maridos doentes é fazer mal a eles próprios (como o marido que exige dinheiro para comprar drogas ou encher a cara de bebida).

Essas situações são únicas e exigem um acompanhamento pessoal, detalhado e específico. Agora, perceba que estou falando de casos extremos. Eu me referi a criminosos, doentes, indivíduos desequilibrados. Homens que põem a integridade física da família em perigo, que não têm controle pleno sobre suas funções mentais e similares. E é importante frisar isso, porque na maioria dos casos de que tomo conhecimento, as irmãs em Cristo não querem ser submissas simplesmente porque discordam da opinião do marido, porque ele faz algo que as desagrada ou algo do gênero. Nesses casos, não há justificativa.

Ter um marido “difícil” não dá base bíblica para desobedecer a vontade de Deus. E vou te contar um segredo: todos nós, maridos, somos difíceis. Diga: será que o Senhor não sabia disso quando determinou a submissão feminina? Será que Deus não conhecia as falhas do pecador Adão quando disse a Eva: “Seu desejo será para o seu marido, e ele a dominará” (Gn 3.16)? Será que Paulo achava que todos os maridos cristãos de Éfeso e de Colossos eram anjos de candura? Será que Pedro não conhecia homens “difíceis” entre os destinatários de suas epístolas? Claro que sim. Mesmo assim, é para as mulheres desses cidadãos complicados e difíceis que chegou em primeiro lugar a ordem de se submeter. E, agora, chega a você.

E nunca é demais lembrar que, muitas vezes, o que acontece é que as irmãs estão simplesmente arranjando desculpas para não serem submissas ao marido e imporem sua própria vontade. A quem faz isso, vale a pena ler: “A obediência é melhor do que o sacrifício, e a submissão é melhor do que a gordura de carneiros. Pois a rebeldia é como o pecado da feitiçaria, e a arrogância como o mal da idolatria” (1Sm 15.22-23).

Agora, marido, se você é uma pessoa difícil, tome vergonha na cara. Saia da acomodação e mude. Melhore. Seja o melhor marido possível. Conformar-se com seus defeitos no âmbito conjugal e acomodar-se a eles não é o que se espera de um homem de Deus.

 

  1. Submissão não é algo depreciativo, é sublime

Vivemos numa era da história da humanidade em que se associou o conceito de submissão a algo depreciativo. Em nossos dias, considera-se que vitorioso é quem manda. Os mais bem-sucedidos são os que ocupam os cargos mais elevados na empresa. Até mesmo na igreja, cargos tornaram-se equivocadamente associados a status, quando, biblicamente, quanto mais alto na hierarquia eclesiástica, mais servo se é. E não é segredo para nenhum de nós que há gente totalmente despreparada e/ou desqualificada em cargos de liderança eclesiástica.

Esse fenômeno sociocultural levou nossa geração a acreditar que sujeitar-se aos outros é inferiorizante. Se isso é verdade, o que você diria de alguém a respeito de quem se diz isto: “embora sendo Deus, não considerou que o ser igual a Deus era algo a que devia apegar-se; mas esvaziou-se a si mesmo, vindo a ser servo, tornando-se semelhante aos homens. E, sendo encontrado em forma humana, humilhou-se a si mesmo e foi obediente até a morte, e morte de cruz!” (Fp 2.5-8)?

Você sabe de quem estou falando.

Não houve na história da humanidade ninguém mais submisso do que Jesus de Nazaré. O Deus menino foi submisso aos seus pais terrenos (Lc 2.51). Ele, sendo Criador, em tudo foi submisso ao Pai (Hb 10.7); chegou a pedir que o cálice de seu sofrimento fosse afastado de si (Mt 26.39) mas, quando recebeu uma resposta negativa, abaixou a cabeça e prosseguiu como ovelha muda para o matadouro (Is 53.7). Foi submisso aos homens e acatou a humilhação e a condenação impostas pelos romanos e os líderes judeus (Mt 27.12-14). Até mesmo pagar impostos ao povo dominador, como um escravo, ele pagou (Mc 12.13-17).

Jesus foi submisso a muitos. E isso o faz inferior em que mesmo?

Não, a esposa ser submissa ao marido – assim como um empregado ser submisso ao seu patrão, um cidadão ser submisso aos governantes, um filho ser submisso aos seus pais – não é algo que diminua ninguém. É sublime. Pois a mulher submissa ao marido mostra com isso que, antes de tudo, é submissa a Deus. E o esposo que tem um coração em Deus e enxerga na mulher a submissão bíblica a valoriza como detentora de muitas virtudes. A mulher submissa é admirável. A mulher submissa é virtuosa. A mulher rebelde é uma vergonha. Você conhece bem este versículo: “A mulher sábia edifica a sua casa, mas com as próprias mãos a insensata derruba a sua” (Pv 14.1). E o que há de mais sábio do que obedecer a vontade de Deus?

A sua submissão da mulher ao marido é a vontade de Deus. Agora, meu irmão, preste muita atenção a isto: priorizar o bem de sua esposa nas suas decisões é a vontade de Deus. Muitas vezes é difícil? Claro que é. Nascemos num mundo que desmerece a submissão e que usa a submissão para agir tiranicamente – e somos contaminados por isso. Torna-se difícil fazer algo que deveria ser natural e que cumpre a vontade de Deus. As mulheres crescem achando que devem ser insubmissas e os homens crescem achando que se estiverem em posição de autoridade devem fazer o que for melhor para si. Tudo errado. Temos de começar a pensar biblicamente, com a mente de Deus. Difícil sim, mas garanto que não é impossível. Paulo sabia disso, tanto que escreveu: “Portanto, irmãos, rogo-lhes pelas misericórdias de Deus que se ofereçam em sacrifício vivo, santo e agradável a Deus; este é o culto racional de vocês. Não se amoldem ao padrão deste mundo, mas transformem-se pela renovação da sua mente, para que sejam capazes de experimentar e comprovar a boa, agradável e perfeita vontade de Deus” (Rm 12.1-2).

Quer experimentar a vontade de Deus? Então sacrifique-se, faça racionalmente o que é o certo, fuja do modelo de família que o mundo impõe e renove a sua mente, adquirindo uma nova maneira de enxergar as coisas – segundo a mente de Cristo. Se você fizer isso, a submissão da mulher deixará de parecer um bicho de sete cabeças e passará a ter a bela aparência que tem aos olhos de Deus.